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LAVOURA-PECUÁRIA

Integração recupera pastos e faz pecuarista diversificar fontes de renda

Rally Cocamar de Produtividade foi conhecer a experiência de produtores ligados à Cocamar que estão adotando projetos integrados em Guaraci e Jaguapitã, no norte do Paraná

07/02/18 00:00:00 - Cotidiano > Agronegocios
Integração recupera pastos e faz pecuarista diversificar fontes de renda Orientados pela Cocamar, pecuaristas estão descobrindo os benefícios de reformar as pastagens com agricultura, durante o verão

MARINGÁ - A degradação dos pastos em regiões de solo arenoso, que leva a pecuária tradicional a uma situação de baixo retorno econômico, está sendo enfrentada por pecuaristas paranaenses de uma maneira mais vantajosa do que simplesmente investir em adubação, como alguns ainda fazem. 
O Rally Cocamar Bayer e Spraytec de Produtividade foi ver isto de perto, na região norte do Estado. 
Orientados pela Cocamar, eles estão descobrindo os benefícios de reformar as pastagens com agricultura, durante o verão. Mesmo os pecuaristas tradicionais, geralmente mais relutantes em aceitar mudanças, estão aderindo a projetos em que passam a trabalhar com lavoura como estratégia para fortalecer o seu principal negócio: a pecuária. 
O Rally é uma iniciativa da Cocamar com o patrocínio das empresas Bayer, Spraytec, Ford (concessionárias Maringá e Londrina), Sancor Seguros e Unicampo, com o apoio do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). 
QUEBRANDO A TRADIÇÃO - Em Guaraci, a 72km de Maringá, o produtor Antonio Albuquerque Garcia, o seu Toninho, é exemplo disso.
Aos 77 anos, ele conta que nunca havia pensado em ver a fazenda de 370 hectares cultivada com soja, como vem acontecendo desde 2012.
Seu Toninho diz que a propriedade adquirida pela família em 1952 sempre foi de pastos e, convencido pelo agrônomo André Bartchechen, da unidade da Cocamar em Jaguapitã, cidade vizinha, decidiu romper a longa tradição e experimentar a novidade. “Não tenho do que me arrepender”, afirma.
VAI AUMENTAR - São 100 hectares de soja (41,3 alqueires), área que vai ser ampliada para 150 (62 alqueires) no ciclo 2018/19. Na temporada 2016/17, o produtor colheu a média de 55,7 sacas/hectare (135/alqueire) e o potencial para o atual período, segundo calcula o agrônomo, é de 60 sacas em média (145/alqueire). 
Nada mau para um solo com 18% de teor de argila e uma safra marcada por extremos climáticos que preocuparam, como estiagem e chuvas em excesso, frio e altas temperaturas. 
GOSTANDO - Recusando propostas para arrendar suas terras, seu Toninho decidiu ele próprio tocar a ILP e investiu ao longo dos anos na aquisição de maquinários (só não tem, ainda, a colheitadeira) e explica porque a integração está valendo a pena. 
A agricultura entrou na fazenda sem que ele precisasse reduzir o rebanho de aproximadamente mil cabeças e o solo vem sendo reestruturado com o plantio de braquiária logo após a colheita, formando forragem para alimentar o gado no inverno.
O produtor, que segue à risca a orientação técnica, diz ter gostado do sistema em que o pasto é dessecado para dar lugar à lavoura, fazendo calagem, aplicando a adubação necessária e não fazendo nenhuma intervenção no solo, a não ser a correção dos “trilhos” deixados pela boiada nos pastos. 

Expectativa de colher muita soja 
Também em Guaraci, outro pecuarista. José Sérgio Garcia, de 51 anos, se rendeu à integração. Dos 255 hectares (105,4 alqueires) da propriedade, 104
(43 alqueires) estão sendo cultivados com soja nesta safra e a estimativa de produtividade do agrônomo da Cocamar em Jaguapitã, André Bartchechen, é de pelo menos 60 sacas por hectare (150/alqueire), mantendo a média obtida no ano passado, de 63 sacas/hectare (153/alqueire).
JÁ REFORMOU TUDO - Garcia faz a engorda de 480 cabeças e recorda ter-se interessado pela integração, há alguns anos, após participar de uma viagem, a convite da Cocamar, para a Agrishow, em Ribeirão Preto (SP). 
Na volta, tratou logo com o agrônomo da cooperativa de planejar a integração em sua fazenda, introduzindo-a por etapas, comprando as máquinas e só contratando a colheita. “O declínio natural da pastagem fica muito caro recuperar com adubo”, comenta. 
Fazendo integração, ele já reformou 100% dos pastos e vê a soja, protegida pela palha de braquiária, suportar melhor as adversidades climáticas.
TUDO MELHOROU - Dono de granjas para 50 mil aves, Garcia destina o resíduo orgânico dos barracões para fortalecer a adubação da lavoura e ressalta a importância da diversificação que foi trazida pela integração. 
“Melhorei meus pastos e, sem reduzir o rebanho, passei a ter uma fonte de renda a mais, com a soja”, sorri. Em resumo: mais fluxo de caixa e equilíbrio financeiro para a fazenda, que ficou ainda mais produtiva, bonita e valorizada. 

A integração é o caminho
A integração lavoura-pecuária também é praticada na propriedade de 133 hectares (55 alqueires) da família Gomes, em Jaguapitã. 
O proprietário, seu Agostinho, e o filho dele, Carlos Augusto, começaram a plantar soja em 2000 e atualmente a oleaginosa ocupa 63 hectares (26 alqueires), área essa que, no inverno, é destinada para o cultivo de aveia e milheto para produção de silagem que alimenta o gado de leite. 
São 60 hectares (25 alqueires) de pastos formados, em grande parte, com capim braquiária, onde estão alojadas 220 cabeças, média de 3,6 por hectare (8,8/alqueire), considerada alta para uma região onde os pastos, normalmente, suportam menos da metade desse número de animais. 
ATENÇÃO AO SOLO - Formado em administração de empresas e com pós-graduação em manejo de fertilidade do solo e manejo de plantas, Carlos Augusto, de 36 anos, conta que a família dedica especial atenção ao solo, fazendo calagem e adubação conforme análise, reforçada de cálcio e enxofre. 
SAFRA CHEIA - Ele conta que quando a família passou a produzir soja, o primeiro ano surpreendeu, com média de 64 sacas/hectare (156/alqueire). 
Mas nos anos seguintes a lavoura foi castigada por estiagens e, para complicar, a cotação da oleaginosa passou por um período de baixa.
“Só com a integração é que vimos a possibilidade de continuar”, comenta o produtor. Orientado pela Cocamar, se diz animado quanto às expectativas de produtividade, respaldadas pelo agrônomo André Bartchechen, da cooperativa. 
“Acho que vamos manter ou superar a média do ano passado”, afirma Carlos Augusto, informando que foram 60 sacas por hectare (145/alqueire). E conclui: “em alguns talhões, tivemos pico de 175 sacas por alqueire (72,3/hectare)”. 

(Fonte: Flamma Comunicação)

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