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INOVAÇÃO

Técnicos e produtores rurais aprovam a pulverização da mandioca com helicóptero

03/12/19 00:00:00 - Cotidiano > Estadual
Técnicos e produtores rurais aprovam a pulverização da mandioca com helicóptero Lideranças acompanharam com interesse as informações sobre o novo serviço

A demonstração da pulverização de uma lavoura de mandioca com helicóptero reuniu – e agradou – técnicos da Emater, da iniciativa privada e produtores rurais. A apresentação aconteceu na tarde de sexta-feira (29), na Estância Maria Luiza, em Tamboara.
“Nós tínhamos a pulverização com o avião e o trator. E agora temos com o helicóptero que executa o trabalho com alguns diferenciais, com maior eficiência”, avaliou o gerente regional da Emater de Paranavaí, Antônio Souza dos Santos. Chamou a atenção dele a capacidade do helicóptero em cobrir todas as áreas. “Com o helicóptero é possível pulverizar toda a área, mesmo em terrenos acidentados, e fazer as bordas sem ameaçar a plantação vizinha”, disse ele.
Souza lembrou que a pulverização em áreas vizinhas a plantações de amora e outras frutas sempre foi conflitante. “Com o helicóptero, o trabalho é feito com mais segurança”, disse ele. Ressaltou ainda outro fator: que a pulverização com este modelo de aeronave é de uma altura semelhante a do trator, “só que sem o esmagamento, provocado pelas rodas dos tratores”.
Para o gerente regional da Emater, a possibilidade de pulverizar pequenas áreas é outro diferencial do uso do helicóptero. Para fazer frente aos custos, o presidente do Sindicato Rural de Paranavaí, Ivo Pierin Júnior, sugeriu que a Emater reúna os pequenos produtores para viabilizar a pulverização aérea.
O Dia de Campo com a demonstração da pulverização foi da Aéreo Agrícola Fornagieri (AAF), Sindicato Rural de Paranavaí, Centro Tecnológico de Mandioca (CETEM), Associação Brasileira de Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), Podium Alimentos, Emater e Sindicato das Indústrias de Mandioca do Paraná (SIMP
APRESENTAÇÃO – Antes da demonstração, os comandantes Marco Rodrigues e Eduardo Noronha, pilotos agrícolas habilitados, da AAF, que promoveu a apresentação, tiraram as dúvidas dos presentes. Informaram que têm usado de 15 a 20 litros de calda por hectare e a capacidade do sistema é para 313 litros, embora, por segurança, preferem decolar com 250 litros e que uma motobomba pressiona a saída do caldo, o que evita a deriva do produto com o vento. Aliado a isso, a rotação da pá da aeronave contribui para levar a gotícula para a plantação. “Este vento mexe com a folhagem, também, de forma que a parte de baixo da folha também é atingida”, constatou o diretor do Centro Tecnológico de Mandioca (CETEM), Claodemir Grolli.
Os pilotos informaram que para maior eficiência do trabalho, são usados três modelos de bicos na barra de distribuição da calda. Com isto o produto atinge o solo (necessidades dos herbicidas e adubo) e parte fica retida nas folhas (para casos de inseticidas).
Rodrigues e Noronha acentuaram que a empresa demorou cerca de três anos para obter todas as homologações e certificações necessários. E começaram a operar este mês regulamentados junto a ANAC, Ministério da Agricultura, IAP, Adapar e CREA. “Estamos regulamentados e nossa proposta é fazer um trabalho de qualidade e com segurança, tudo dentro dos protocolos”, garantiu Rodrigues.
A Fornagieri usa um helicóptero Robinson 44 Haven II e até o final de janeiro próximo deverá entrar em operação uma segunda aeronave do mesmo modelo. Na demonstração foi apresentada a aeronave e o caminhão com o misturador. Este caminhão, além de preparar o produto a ser pulverizado, transporta combustível de aviação. De forma que o abastecimento de combustível e a preparação e abastecimento da calda ao helicóptero é feito na propriedade a ser pulverizada, podendo ser acompanhada pelo produtor rural.
Um engenheiro agrônomo e um técnico agrícola fazem parte da equipe de pulverização da empresa.
DESMISTIFICAÇÃO - Para Pierin, que também é diretor da Associação Brasileira dos Produtores de Amido de Mandioca (ABAM), o helicóptero vem para desmistificar a crença de que não é possível fazer pulverização próximo a área urbana. “Esta é uma conquista e temos que incentivar o seu uso. Em algumas cidades já existem leis que proíbem a pulverização. E isto pode trazer um grande prejuízo para a produção rural”, apontou ele.
Ele reconheceu que o custo do serviço não é tão barato. “Mas quando você faz a correlação entre eficiência X custo vai vale à pena”, defende.
O agrônomo Renan Viana Macedo, da AAF, explicou que, se houver autorização, é possível aplicar dois produtos numa mesma pulverização. “Existem produtos que são liberados para pulverizar apenas para tratores. Outros podem ser usados por aeronaves também. Alguns são permitidos misturar, outros não. Então levamos em consideração tudo isso para fazer tudo dentro da lei”, explica ele.
Adriano Tadim, produtor rural que acompanhou a demonstração, contou que um parente seu já fez a pulverização de uma lavoura de mandioca com o helicóptero e confirmou a rapidez dos serviços. Segundo ele, para cobrir uma área de pouco mais de 130 hectares, com a pulverização de inseticida mais no baculovírus não foi preciso nem três horas de trabalhos. “O trabalho começou às 6h30 e terminou antes das 9h30”, disse ele. A pulverização foi feita em duas horas e quarenta minutos. “O trabalho ficou ótimo”, finalizou ele.

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