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HOMENAGEM

A morte do artesão Élcio Caetano

22/01/17 00:00:00 - Paranavaí > Cultura
A morte do artesão Élcio Caetano Élcio Caetano: 201CQuero que todos vejam e tenham orgulho de mim201D (Foto: David Arioch)

O artesão Élcio Caetano faleceu na quinta-feira durante uma cirurgia. O conheci em 2014 e fiz uma matéria contando sua história. Ele ficou paraplégico há mais de dez anos, depois de levar um tiro. Entrou em depressão quando descobriu que não poderia mais andar, mas perseverou e encontrou no artesanato uma forma de superação.
O visitei muitas vezes para saber como ele estava e também para tentar ajudá-lo com o apoio dos amigos João Henrique de Andrade e Luzimar Ciríaco Andrade. Em novembro de 2014, ele foi homenageado na Câmara Municipal de Paranavaí em sessão solene em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra.
Naquela noite, busquei ele em casa. Foi um dos momentos em que o vi mais feliz, sorrindo e empolgado com a possibilidade de ter sua trajetória elogiada por tanta gente. Durante a solenidade, Élcio discursou brevemente, e sua leveza em forma de palavras deixou claro que nem suas limitações físicas o impediam de amar a vida.
Na mesma semana, ele colocou o diploma de personalidade negra de 2014 em um ponto bem visível da parede da sala, para que todos pudessem vê-lo e entender como aquele momento foi significativo em sua vida. “Daí eu não tiro nunca mais. Quero que todos vejam e tenham orgulho de mim”, justificava sorridente.
Élcio gostava de produzir arte com materiais recicláveis e objetos que as pessoas descartavam como se fossem lixo. Também fazia pão para vender, um ofício casual que aprendeu com a mãe. Jamais ficava à toa, mantinha-se sempre ocupado.
“Naquele estado [referindo-se à depressão ao saber que não andaria mais], o ócio é perigoso porque a pessoa acaba tendo muitas ideias que não são saudáveis”, me dizia. O encontrei muitas vezes cruzando ruas e avenidas com sua motoneta adaptada. Com as mãos no guidão e o vento acariciando o rosto, ele se via menos limitado, mais livre.
No ano passado, por problemas burocráticos, ele perdeu o Benefício da Prestação Continuada da Lei Orgânica da Assistência Social (BPC/LOAS), e o governo ainda exigiu que Élcio devolvesse os R$ 70 mil que recebeu ao longo dos anos. Ele ficou um bom tempo sem receber o seu salário mínimo, sua principal fonte de renda.
E a depressão vencida há muito tempo, retornou quando ele reconheceu que mal tinha o que comer. Como devolveria R$ 70 mil? E mais uma vez, ele contou com o apoio de amigos e de pessoas que realmente se preocupavam com o seu bem-estar.
Quando o governo percebeu que ele era um sujeito honesto, que tinha direito de continuar com o benefício, também foi firmado um compromisso de repassar a ele todos os salários que não recebeu durante o bloqueio do LOAS. Infelizmente, na última quinta-feira, poucos meses depois, Élcio Caetano faleceu durante uma cirurgia, ainda jovem, crente de que logo estaria de volta para continuar produzindo sua arte.
Saiba Mais
Élcio Caetano era morador do Conjunto Dona Josefa, na periferia de Paranavaí, no Noroeste do Paraná.

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