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REPERCUSSÃO

Marilena: Jovens que planejavam ataque em colégio são internados

Em entrevista ao DN, o promotor Caio Marcelo Santana Di Rienzo alerta para o perigo da circulação de informações desencontradas. Pede prudência na divulgação, evitando gerar a “glamurização de ataques e outros crimes”.

27/03/19 00:00:00 - Região > Marilena

Estão internados desde a última segunda-feira os dois adolescentes, de 16 e 17 anos, que planejavam ataque a um estabelecimento de ensino da rede estadual de educação. O caso, na cidade de Marilena (a 71 km de Paranavaí), repercutiu em toda a região, ganhando versões que se misturaram aos fatos e se tornaram “verdades” para muitas pessoas.
O tema passou a ser acompanhado pelas autoridades na última sexta-feira. No final de semana houve a decisão de suspender as aulas até o desfecho da situação. Com os jovens identificados e encaminhados, o funcionamento normal no colégio foi retomado ontem.
Não foram encontradas armas de fogo com os jovens como faziam crer algumas publicações, mas sim armas brancas (facas). No entanto, haveria com eles imagens e notícias do trágico episódio do Colégio Raul Brasil, de Suzano-SP, quando morreram dez pessoas (incluindo os dois atiradores).
No caso do planejamento para eventual crime em Marilena, os telefones celulares e computadores dos jovens foram apreendidos para a sequência da investigação. De antemão, sabe-se que eles conversaram com outros adolescentes sobre as intenções e as informações chegaram até a direção do colégio, que acionou a Polícia e outras autoridades. 
Embora sem armas de fogo, um dos jovens apreendidos confirmou a intenção de fazer o ataque. Os adolescentes não são conhecidos na esfera policial. 
REPERCUSSÃO - O caso repercutiu em toda a região Noroeste, gerando compartilhamento em mídia social de situações verdadeiras, mas muitos boatos e circulação das chamadas fake News (notícias falsas) se espalharam. Em uma das notícias falsas aparecem armamentos pesados, cuja posse foi atribuída aos jovens. 
Também há circulação de imagens de jovens supostamente envolvidos, atitude que se configura crime diante do que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescentes (ECA- artigo 247). Em outra infração diante do ECA, uma mulher compartilha áudio em redes sociais, citando nomes. Sem contar que as fotos não seriam dos jovens de Marilena.
MINISTÉRIO PÚBLICO - O promotor de Justiça da Comarca de Nova Londrina, Caio Marcelo Santana Di Rienzo, confirmou ontem à reportagem do Diário do Noroeste (por telefone) que fez intervenções diante da repercussão do caso. Ele tem atuado no sentido de conscientizar as pessoas, alertando para as implicações jurídicas de certos atos nas redes sociais. 
Sobre o episódio, afirmou que tudo foi resolvido pontualmente e as providências tomadas no devido tempo. Pede que as pessoas tenham cuidado, já que se trata de uma cidade pequena e as informações circulam rapidamente. 
O promotor detalha que os jovens envolvidos foram monitorados a partir da denúncia e que uma ação seria feita ainda ontem para elucidar a situação, inclusive a apreensão dos rapazes. 
Porém, com a circulação das informações em redes sociais, houve-se por bem suspender a aula na segunda-feira e antecipar a abordagem aos adolescentes.
O promotor cita que os jovens estão internados em hospitais, mas que já pediu ao Poder Judiciário a internação para um Centro de Ressocialização (Cense) após esse período. Desta maneira, não devem retornar para casa neste momento, analisa o promotor. 
Ainda na noite de segunda-feira, o promotor Di Rienzo gravou um áudio e divulgou pelas redes sociais. Neste material, alerta para o perigo da circulação de informações desencontradas. Pede prudência na divulgação, evitando gerar a “glamurização de ataques e outros crimes”. 
Também elogia o trabalho dos diversos agentes públicos que contribuíram para um desfecho adequado do caso. 




EDUCAÇÃO DIVULGA NOTA 
DE ESCLARECIMENTO

Por conta da larga repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Educação de Marilena divulgou uma nota com o seguinte teor: 
“Diante dos alertas de ataques às escolas de Marilena, coube à Rede de Proteção formada pelas Secretarias Municipais de Educação, Saúde e Assistência Social, Conselho Tutelar, Poder Executivo Municipal, CMDCA, Ministério Público da Comarca, Polícia Civil e Polícia Militar atuar rapidamente para elaborar uma estratégia capaz de garantir a segurança dos alunos e, ao mesmo tempo, evitar possíveis situações de pânico que dificultam o trabalho das investigações.
Neste sentido, na tarde desse último domingo, optamos, responsavelmente, por antecipar e divulgar as ações de dedetização para justificar o fechamento das escolas e garantir que os alunos ficassem na segurança de suas casas até que tivéssemos mais orientações do Ministério Público.
Esclarecemos, portanto, que nossa intenção jamais foi ocultar informações da comunidade ou nos isentarmos de nossa responsabilidade enquanto gestores, porém, o cuidado e o compromisso com nossos 940 alunos da Rede Municipal de Ensino levaram à adoção das medidas de suspensão das aulas e, com isso, garantir a segurança dos alunos, como constava nos dois comunicados oficiais divulgados nas Redes Sociais. 
Nessa quarta-feira, dia 27 de março, as aulas retornarão nas escolas municipais e CMEI de Marilena dentro da normalidade de sempre e com os mesmos cuidados, atenção e efetivo atendimento aos alunos com o compromisso de reposição dos dois dias letivos suspensos. 
Por fim, pedimos aos pais, aos familiares e à comunidade que confiem sempre na Educação, pois estamos trabalhando por nossas crianças”. 

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