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 Dom Sérgio e o padre Inácio quando apresentavam a Campanha da Fraternidade - Foto: Ediglei Feitosa |
Com o tema “Fraternidade e Segurança Pública” e o lema “A Paz é Fruto da Justiça”, a Igreja Católica coloca a questão da segurança no centro dos debates durante o período da Quaresma. O lançamento na Diocese de Paranavaí estava previsto para ontem às 19h30, na Catedral Maria Mãe da Igreja. Para falar sobre a proposta, o bispo diocesano, Dom Sérgio Aparecido Colombo, reuniu a imprensa numa entrevista coletiva ontem à tarde. A Igreja quer uma ampla discussão sobre a segurança pública. Adverte o bispo que toda a comunidade, não apenas os católicos, deve se envolver, pois a segurança diz respeito ao conjunto da sociedade. “Todos são responsáveis pela cultura da paz”, justifica. Ele lembra que a insegurança deve ser entendida como o conjunto de tudo que põe em risco a vida. Para ele, buscar a segurança é rejeitar as ameaças à vida. Diante disso, analisa, os poderes constituídos e a sociedade precisam estabelecer um debate para resolver os problemas de segurança com atitudes concretas.
O religioso concorda que o tema neste ano é bem direto e vai exigir um interesse coletivo. Mas, lembra que a Igreja já tratou de temas dessa relevância, como a luta contra a violência e contra as drogas. Para tal, a Igreja tem um texto-base, que será transmitido à sociedade, destacando critérios de como agir, guiando-se pela ética. Neste contexto, analisa, há diferenças na condução das propostas sobre como levar o tema. “São diferentes os debates na catequese das crianças e nas esferas de poder”, exemplifica.
A Campanha da Fraternidade se desenvolve durante a Quaresma, objetivando a conversão e a oração. O objetivo é convocar os cristãos para o debate sobre a violência e contribuir para a criação da cultura, da paz e da solidariedade. A Campanha da Fraternidade visa ainda ressaltar o espírito comunitário da Igreja, comprometendo particularmente os cristãos na busca do bem comum e educar para a vida em fraternidade, com base na justiça e no amor.
A Quaresma - A Igreja Católica iniciou ontem o período da Quaresma, propondo um tempo de penitência e reflexão. Dom Sérgio discorda de que o povo tenha perdido o interesse pela Quaresma. Para ele, acontece o contrário, com as pessoas vivendo com maior intensidade do que no passado. A mudança, interpreta, é que é preciso rejeitar conceitos antigos de que o “demônio está solto” ou de que “quem pulou Carnaval está em pecado”.
Ensina ele que a mudança proposta pela Quaresma deve acontecer nas pessoas, sem saudosismos sobre as práticas de outros tempos. Ele dá o exemplo do jejum, que se feito isoladamente, torna-se uma prática sem efeito. “O jejum sem partilha não existe”, detalha, complementando que as pessoas devem aproveitar a Quaresma para disseminar a cultura da paz e do partilhar.
Atualmente a Igreja pede abstinência de carne apenas na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa. No entanto, a mudança não implica em perda de costumes, mas em busca pela verdadeira transformação. Neste sentido, toda sexta-feira a Igreja propõe que seja dedicada à prática da solidariedade.
Outro exemplo dado pelo religioso é de que não é proibido brincar o Carnaval. O que não é recomendável é o excesso de qualquer natureza. “Beber e dirigir, por exemplo, não é uma postura adequada”, avalia. Nestes casos, Dom Sérgio propõe o arrependimento sincero, o que permite a absolvição por parte da Igreja.
As atividades da Campanha da Fraternidade deverão ser desenvolvidas nas paróquias e capelas da cidade e da região. No período será buscada uma transformação por dentro de cada pessoa, adianta o padre Inácio Shiroff, assessor pastoral de Comunicação, que participou da entrevista coletiva, quando enumerou atividades já programadas para a comunidade católica.
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