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André Maciel
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LITERATURA

QUE SAUDADE QUE EU SINTO!

15/12/16 - Articulista > André Maciel

A saudade. Que palavra e que sentimento mais estranho que nos corrói por dentro, sim porque vem de dentro para fora. Em nome desta saudade que retornei às minhas escritas, aos meus momentos de solidão e solidez com meu teclado, a tela e inspiração me debulhando. Em nome deste sentimento, ou sensação não saberia como classificá-la ao certo, até mesmo em razão de tão abstrata definição. A palavra tem um significado tão intenso e grandioso que apenas nós, brasileiros a expressamos. Em outros idiomas não encontramos sua expressão, apenas com outros significados. Curioso isso. Então apenas nós brasileiros é que sentimos a palavra de forma tão expressiva que a denominamos? Sinto saudades dos que se foram, dos que não estão mais aqui ao meu lado. Sinto também a ausência, expressa em forma de saudade de momento que me foram e caros, de amigos que o tempo se encarregou de afastar. Também me causa saudade dos sorrisos que recebi ontem ao atravessar as vias e pausar a velocidade do automóvel para que os transeuntes caminhassem, e ser respondido com um grato aceno e um farto e generoso sorriso. Saudades também dos papos de criança, aqueles descontraídos e inocentes que discutíamos até altas horas da noite, sentados à margem das ruas ao redor de nossa casa. Do cheiro suave que as flores exalavam em agradecimento a meu pai que as aguava no cair da tarde; das brincadeiras de pique esconde na infância, das estórias que ouvia antes de dormir, das refeições em fartas e animadas mesas na casa de meus pais. Sinto saudades também do tempo que passou e me foi grato, das dores que senti e com elas aprendi demais, mas acima de tudo sou grato, intensamente grato a Deus pela vida, pela saudade que sinto do dia anterior, o sinal de que ainda estou vivo hoje, para manter o ciclo da vida no dia seguinte, até que me seja dado o comando de stand by, e deixe a saudade corroer a quem aqui se mantiver. O ano de 2016 está findando e já nos deixando saudades. Um ano que nos transformou em seres mais rijos, mais fortes e mais condoídos com tantas perdas e desilusões, com tantos momentos para reflexões de cada um a seu modo. Que a saudade que ora nos invade nos traga pensamentos e realizações vindouras a todos nós. Desejo que a felicidade que 2016 me invadiu, calçada em decisões múltiplas, a mesma que me emocionou ao ouvir minha narrativa produzida sobre reflexões cotidianas, meu conto Singer, ticolai, ticolai, ticolai; texto este que me rendeu uma “barriguda” do 51º Femup – Festival de Música e Poesia de Paranavaí, o mais antigo festival cultural do país. Saudades dos sorrisos, das expressões de emoção e das lágrimas que derramei ao saber que um texto meu causou tanta impressão em leitores que jamais imaginava poder atingir. Sentirei saudades de muitos e de quase tudo, de todos e de quase nada. De momentos que me foram muito necessários, como as leituras que realizei e hoje rememoro, das músicas que embalaram minhas experiências e aqueles momentos em que decididamente necessitava estar só. Do abraço quente e afetuoso que me uniu a quem descobri amar verdadeiramente. Do beijo carinhoso e cálido de quem me confirmou que sentimentos intensos existem sim. Saudades de quem gostaria que estivesse junto a mim e se ausenta por motivos vários. Que esta mistura de sentimento e sensação denominada saudade possa se manter viva dentro de meu peito, pois só assim saberei que estou pronto para continuar manifestando minhas ideias e expandindo os horizontes de meus leitores. Que o ano de 2017 que está se apontando no horizonte, recarregue-nos de energias boas e vindouras, que nos faça olhar o ano que ora finda com saudades, mas, aquela de momentos com os quais aprendemos a sermos mais nós mesmos, mais fortes e mais resistentes às batalhas e aos combates que nos são propostos. Que a luz divina e a graça do novo, nos perpetue no ano que nos tornaremos mais fortes. Que a saudade nos faça aprender que o passado é memória, e a ele só cabe lembrança e não a vivência cotidiana. Vivamos o presente, pois, ao passado cabe somente a saudade do que já se passou. Feliz Natal e um Próspero Ano Novo a todos vocês que estiveram conosco neste ano de 2016. Aos leitores do nosso querido Diário do Noroeste que guarda a saudade de seu fundador em nossas lembranças e àqueles que ora descobrem o sentido e prazer de sentir a saudade de quem nos é caro. Um forte abraço e até 2017!

Colaboração de André Maciel

profandre.literratura@gmail.com
profandre_ literatura@hotmail.com

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