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EDENI MENDES
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LITERATURA

Hostilidade

08/03/17 - Articulista > EDENI MENDES

Hostilidade é um substantivo feminino. Hostil é um adjetivo de dois gêneros. Substantivo ou adjetivo, não importa. O que importa é o estrago que causa! A palavra tem origem no latim hostilis. Hostis significa inimigo. Hostil é aquele ou aquela que age com rudeza, agressividade, grosseria, falta de educação. É a pessoa que coleciona inimizades, adora manifestações de rivalidade, passa a maior parte do tempo sentindo raiva e cultiva a arrogância, a inveja e o ressentimento. Exceto a hostilidade proveniente de algum distúrbio, físico ou mental, a hostilidade gratuita e do ego é terrível. O hostil vive menos, porque a carga emocional negativa com que convive favorece o desenvolvimento de doenças. Tem seu tempo de vida reduzido porque submete seu corpo a excessos o tempo todo. A carga hormonal desencadeada pela ira, pela animosidade e pelo ressentimento causa estragos que ao longo do tempo se tornam irreparáveis. Mas o pior de tudo são as doenças "da alma". Aquelas que o hostil desenvolve e que, mesmo indiretamente, impõe a outros. Basta olhar para uma pessoa que vive nesta condição. Nunca há beleza em sua vida, nada o agrada, nada está de acordo com o que imagina, ninguém é bom o suficiente. Na maior parte do tempo passa resmungando ou "remoendo" alguma ideia destrutiva. Não é fácil conviver com gente assim. Manter a harmonia, ter paciência e não se contaminar requer esforços diários e muitas vezes consome tanto a energia de quem é submetido aos seus ataques constantes que a estrutura psicológica é afetada. As brigas e discussões se tornam praticamente inevitáveis e as reações instantâneas a ponto de extrapolar a tormenta mental e se materializa sob a forma de agressão física. Neste ponto não há mais cuidado, carinho, diálogo. A regra de civilidade mais básica é quebrada: o respeito. A partir daí, agressor e vítima passam a agir de forma instintiva. Um porque se acha na razão em agredir, outro porque luta para se preservar, ainda que esta luta também venha revestida de violência. Mas há que se falar ainda na hostilidade gerada e alimentada ao longo do tempo. Situações criadas em família, relacionamentos, uniões que, de estáveis, já não possuem nada. Convivências que diariamente acabam machucando através de palavras, gestos, ou simplesmente com a frieza e o abandono. É preciso estar atento a este tipo de hostilidade, porque muitas vezes, ele vem revestido da boa e velha desculpa de que "relacionamentos se tornam assim com o tempo". Isso não é verdade. O tempo não é responsável pela falta de cuidado, pelo humor azedo ou pela falta de tato. Nós somos. E muitas vezes relações que tinham absolutamente tudo para serem duradouras e gratificantes acabam simplesmente porque não controlamos nossas emoções. Uma composição muito bela, ainda que plena de tristeza pelo contexto, é a música "Senhora e Senhor" dos Titãs. A letra, carregada de angústia e tentando fazer poesia com a melodia e com o velado pedido de socorro, mostra a trajetória de um casal iniciada como outras incontáveis histórias de amor. Em algum momento da vida, porém, o "caso de amor" se transforma em "Um jardim que não dá flor", caracterizado principalmente pela "Saudade, indiferença, decadência e mau humor... Tratamento respeitável de senhora e senhor". A letra causa reflexão. Em que momento o querer bem se transformou em frieza? Em que ponto o deslumbramento cedeu lugar para o descaso? E o pior de tudo: em que instante o amor de tornou hostilidade e indiferença? Na maioria das vezes não se percebe. Não se sabe quando o amigo deixou de ser tão especial, o companheiro tão interessante e aquele relacionamento que tinha tudo para dar certo se tornou tão chato e insosso. Mas, uma coisa é certa, é possível saber quando falta atenção, quando o carinho está escasso e quando os momentos amigáveis estão se tornando cada vez mais raros. Muita gente confunde comodismo com respeito. Acredita que manter uma relação, ainda que fria e carregada de hostilidade, é melhor que pôr fim a ela. Não é. Tratamentos respeitáveis de "senhora e de senhor" onde não há mais afeto são cruéis e desrespeitosos e muitas vezes andam de braços dados com a infidelidade, a deslealdade e outros tantos tipos de traição. Portanto é preciso analisar a razão da hostilidade no dia a dia. A rotina, o cansaço, o estresse ou apenas a insatisfação mascarada pela necessidade de manter aparências? Se for apenas a última hipótese, é a hora de se deixar de fazer o que é cômodo e fazer o que é correto. Por uma questão de dignidade, por amor próprio, pela ética, mas acima de tudo, pelo respeito consigo mesmo e pelo outro. A vida é muito curta para sentimentos de tão pouca valia. Um dia, quando menos imaginamos, acaba.

Colaboração de Edeni Mendes da Rocha (Teka)

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