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Marcelo Rios
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PSICOLOGIA

Um casamento sem afeto

09/08/16 - Articulista > Marcelo Rios

Uma das queixas mais frequentes que escuto quando atendo casais ou pacientes no meu consultório que procuram psicoterapia individualmente que venham trabalhar a questão de seu matrimônio, é a falta de atenção, companheirismo e carinho no casamento, seja por parte do marido ou da esposa.
Os primeiros sinais se manifestam, tais como um distanciamento, indiferença, irritabilidade, críticas frequentes seguidos de agressões verbais, gritos e até mesmo agressões físicas. No início do relacionamento “é tudo flores”. O clima de “lua de mel” predomina no casal. Mas com a convivência este prazer dá lugar a rotina e o foco se torna nas diferenças e pequenos defeitos um do outro, causando a diminuição do afeto. O casal vai se distanciando da gentileza e da cooperação, e, no seu lugar vem uma competição recheada de hostilidades e as brigas são constantes. Para a pessoa que está em um relacionamento tumultuado como este, se sente sozinha, desvalorizada e rejeitada pelo seu ou sua conjuge.
Por isso que é totalmente incoerente e insensato que um conjuge se case com o marido ou esposa para que deixem ficar entre eles um buraco, um abismo. E enquanto isso, a pessoa chora porque não há troca de afeto, e aonde não há carinho, não há cuidado, não há atenção, beijo, abraço. E a sexualidade do casal (quando tem) acontece de modo indiferente, funcional e mecânico, não decorrente de expressões de amor que acontecem (e deveriam acontecer) no cotidiano do relacionamento e que tem sua desembocadura na sexualidade explícita, porque nem só de sexo vive um homem ou uma mulher, mas de toda troca sincera de carinho e afeto que possam proceder de um para com o outro, naturalmente.
É uma contradição! A pessoa estar casada, mas ao mesmo tempo estar desafetuada ou deixada de lado, e por vezes tem muita gente que por causa dessa angústia, acaba fazendo maluquices e tolices. É por causa de buracos e feridas abertas deste tipo, que ocorrem do marido ou esposa acabarem procurando outras pessoas fora do casamento, porque esse relação é vazia de afeição, e acabam caindo numa cilada que decorre do óbvio: uma relação vazia.
Por isso que nessas horas, marido e/ou esposa precisam ser honestos o suficiente consigo mesmos, e com seu/sua cônjuge. É preciso conversar e ver o que ele ou ela querem deste casamento. Porque não é bom que homem ou mulher estejam sós, mas é pior ainda quando estes estão casados, porém na realidade sozinhos. Não faz sentido uma vida conjugal na individualidade! É escravidão, é torpor, é tortura e perversidade conjugal da pessoa manter-se ou obrigar a outra a ficar unida apenas formalmente para consumo social, sem querer ter um troca humana, nenhuma imersão do ser na vida do outro e vice versa. Se torna uma pessoa de mármore, gelada.
Essa carência afetiva no casamento pode e quase sempre se somatiza. Já presenciei e lidei com casos assim no meu consultório. Leva a pessoa a adoecer emocional e fisicamente, e nesse processo a pessoa vai guardando essas irresoluções, não trata do assunto jamais com o/a conjuge, e ambos vão bebendo suas lágrimas e queixas de dia e de noite, até estas se tornarem “inexplicavelmente” em dores físicas (gastrites, dores de cabeça e no corpo, insônia, agitação motora, perda ou aumento excessivo do apetite) e emocionais (ansiedade, depressão, rancor, ódio, angústia, etc). Sofrem de agonia da alma. Não faltam pesquisas em livros e na internet onde doenças psicossomáticas estão relacionadas a falta de afeto. 
Por isso, chame o seu ou sua conjuge para resolver isso na verdade, na luz! Caso contrário, as consequências poderão ser uma calamidade que coloquem você e seu casamento em uma cilada, fazendo mal a você, seu conjuge e sua família.
Ninguém foi feito para viver um relacionamento (ainda mais o casamento) onde a afetividade é sistematicamente sonegada e a pessoa se sinta caída, doída de corpo, de alma e de tudo! É preciso discernimento, coragem, decisão e bom senso do casal para encarar isso com verdade e na verdade!

Colaboração do psicólogo Marcelo Fernando Rojas Rios
Facebook: @psicologomarcelorios

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