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Márcia Spada
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COMPORTAMENTO

Quando o amor sufoca

03/05/16 - Articulista > Márcia Spada

No filme Shine, o pai desejava transformar o filho em um pianista brilhante que ele não conseguira ser.
Ao mesmo tempo, por amá-lo muito, não queria dividi-lo com o mundo.

A ambivalência de sentimentos pode ter sido um dos fatores que prejudicaram a vida e a carreira do jovem.

É perfeitamente natural e até mesmo necessário nos apaixonarmos por nossos filhos.

Mas, às vezes, empenhados demais em oferecer aquilo que consideramos melhor, deixamos de perceber o que eles realmente precisam, como são e do que são capazes. E os impedimos de se desenvolverem naturalmente.

É como aquela mãe que não percebe e não quer aceitar que seu bebê está crescendo, ganhando independência e não precisa tanto de sua ajuda.

Ainda que inconsciente, esse tipo de atitude atrapalha o desenvolvimento da criança, que deixa de usar os recursos físicos e neurológicos adquiridos, tornando-se dependente e medrosa. Afinal, tudo que excede os limites é destrutivo.

Os desafios são importantíssimos na descoberta de si mesmo.
Na verdade, o cuidado exagerado nem sempre ocorre por excesso de amor, mas por egoísmo.

A preocupação desmedida com os filhos pode ser uma forma de o adulto ou o casal encobrir e mesmo evitar o confronto com suas próprias dificuldades.

É muito comum também uma relação de transferência. Por exemplo: o pai que foi mal sucedido nos estudos passa a exigir um desempenho excepcional do filho na escola.

No fundo, os pais não fazem dessa forma intencionalmente. Em geral, a projeção ocorre de forma inconsciente e eles nem sentem o mal que causam.

O filme Shine, de Scoot Hicks (premiado com o Oscar de melhor ator), mostra essa projeção de maneira muito clara.

A história do pianista australiano, lembra a de outros gênios precoces que tiveram seu talento condenado por esse tipo de estrutura familiar.

Educar, além de amar, envolve respeito pelo lugar de cada um, entre o próprio casal e principalmente pelas crianças as quais somos responsáveis.

Colaboração de Márcia Spada

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